fomos atravessadas pelo baldio cheio
destravamos a distância das inadequações
um borrão de vento sopra agora o tímpano
para que o espelho se estilhace sobre o corpo sem retorno
agora tu não me conheces mais
agora tememos o ninguém que nos tocávamos
e todo o dito nos atravessa pelo buraco
do que não foi dito do que nunca poderá
ser dito
de outra maneira como o rio
com um facão na algibeira não havendo mais
lugar
para o cajado da fábula percorrida
nessa passada década de nós
ensaiamos chegar aqui
libertas
esse é o nosso saturno
desfazendo seus anéis translúcidos
sobre nossos pés
aos teus pés
um frio avança desviante
sinto-a em mim
como um trago feito em viagem
uma alucinação calma e
duradoura
sacrificada
em repouso na selvagem
hora
de nossas diferenças
cena de "A Montanha Sagrada", com Leni Riefenstahl