20090610
pequeno diário parte um
repente-raio réia assim mesmo: o tornozelo doído, como se ligamentos estirados, o quê o quê? urano QUADRADO marte e netuno natais, pega ascendente, pega descuidos excessivos, outro QUADRADO entre plutão e júpiter natal, a morte passeando pelos estudos, tensionando a energia voluptuosa da organização, libra-capricórnio, cuidado com os ossos, é hora de ler aqueles manuais de saúde astrológica, registro.
um tornozelo direito. trânsitos, lua-lilith irmanadas quase na cúspide maior. aonde se encontra o destino. e ele segue seu passo, ainda no meio-metade do caminho, ele vem acariciando meus ossos, lento, preciso e vestido de escuro. a obra em negro. o começo real da alquimia, os 29 anos.
braços bem abertos
suponho
um jeito próprio de encomendar a sua vinda,
ó ceifador dos hábitos
e medos
20090609
Mira Myra
Mira, o maravilhoso maravilhar-se
imagens das mãos no barro, dessa lunária plena, que me deu o vaso, o corpo
onde eu recolho, anuncio e distribuo minhas lágrimas e meus orgasmos
o que está a vir, dor-prazer tão irmanados,
lacrimatórios, enócoas
meu livro em breve que virá, pelos cuidados de Ricardo Pinto de Souza
e da Oficina Raquel
antes: deliciem-se com esta jarra
que acolhe todo líquido e depois
jorra na terra
ara
Mira, carinho imenso
sempre.
20090603
póstuma
DEDICATÓRIA EM LIVRO DE PÓ
era dela o dia
o nosso abraço a virar espiral
as lanças de hera gotejando
açucares e libélulas e pimentas
ascendentes
como a seta no horizonte
esquerdo
era dela a linha
escrita declinada nas páginas
da sublimação
minhas foram depois
o que no princípio era
o amor
dado com carta burilada
em mesuras, com diâmetros
e virgulas a estiletes
nosso era o osso
pélvico
que muitas vezes rasgava
roxo o tronco remexido
da outra
(gineta monógina)
nosso era o fosso
de uma asa sem meta
pura estripulia de gigantes
ardilosos
nosso era o aço
mas dela era o dia
dela era a linha
minha uma pá-
gina uma
aporia
o nosso abraço a virar espiral
as lanças de hera gotejando
açucares e libélulas e pimentas
ascendentes
como a seta no horizonte
esquerdo
era dela a linha
escrita declinada nas páginas
da sublimação
minhas foram depois
o que no princípio era
o amor
dado com carta burilada
em mesuras, com diâmetros
e virgulas a estiletes
nosso era o osso
pélvico
que muitas vezes rasgava
roxo o tronco remexido
da outra
(gineta monógina)
nosso era o fosso
de uma asa sem meta
pura estripulia de gigantes
ardilosos
nosso era o aço
mas dela era o dia
dela era a linha
minha uma pá-
gina uma
aporia
20090526
POESIA SÉCULO VINTEEUM OU ESTA NOITE DORMIU-SE MAL E ASSIM SE LEVANTA PARA UM CAFÉ FRIO MAS CHEIO DE ILUSÕES

Assumido
nunca mais o estalido e a rima
assim com laranjadas véus tonéis
- almas -
maciezas subterfúgios umbrais
nunca mais esse lustre vocal
essa odalisca que se repete em tantos
vasos venéreos de chocar
chorar e enócoas em geral
essa cartografia menádica
nunca mais Sá-Carneiro Ana C
as lástimas pedrarias reclusas
vida vitimada por um dicionário
de estética medieval
agora branco tudo
chega do azul do cinza do chumbo
é para sempre que digo fim
a todas as palavrinhas tão românticas
decantadas e sonâmbulas ai
de mim nunca mesmo quero longe
as sãs sacadas as caveiras das
palavras que o desejo poste altivo
se pôs deitado para que morram
este verso este orifício testamento
amaro esta vernacular forma de
cortar a linha que se podia desviar
agora nem também metonímias
multimídia e seus laxantes tabletes
de estar em todo tempo grandes noigandres
lá e cá feiras de poesia gente tocando
trombeta para toda gente lá do
poema lido e decorado e aqui pó
posto como estrume a ceifar fragmentárias
roseiras tempos pós-modernos leseiras
Freud Jung Lacan deixem-me vã
agora nunca mais semióticas cisões
pelos poros da aventura agora nem fadas
nem desusos, nem mitos nem regurgito
à maneira de virtuais pistões
agora inútil emendo a branco
fico muda
besta
,além do mais
20090330
20090324
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