20090818

para um amor no recife

sos escrito a fluídos
na borda do lençol

esta noite deixei que os líquidos
fugissem das grutas e caminhassem
por alguma trôpega linha
e te alcançassem num feroz
sonho dilacerado

estou aqui
vertebrada, nas tremas
de um suor triste
deitada para sempre

aqui bordando com bactérias
minha carta
querendo chegar no umbral
de tuas dúvidas, andentrar
densa os teus canais mais difíceis
e me camuflar outra vez
numa certeza de amor

20090817

(práticas)

todos os outros que se atentem ao bem

falar a língua

intimada a servir

quem lhe proíba

nua insandecida desço

à noite

numa sede nauta de desvios

e marulhos

vaguidão líquida que me lambe

e me consente

diamantes

mosaicos desta pura deslealdade

este lábio de amante

este elo de sangue falso

puro flash pura

mordomia

20090807

espaço maranus






caros, queridos,





convido-os todos a conhecer o espaço de cursos e de atendimento astrológico que montei, em são paulo.





a programação de setembro já está disponível!





abraços fortes,


roberta


http://www.espacomaranus.blogspot.com/

20090719

sketches ------------------- off hand para Ana C








aos vinte e oito vejo-a na sala

é minha a casa, não está desconfortável

toca um ensaio destes
destes
que você imagina quando se senta
e quando então está
acompanhada

é mais
nós sabemos, aquele
puro açucar, amamentações
carinhas plásticas de menina
com furos na boca
meninas fáceis de perverter, eu

penso que você saberia
como segurar essa boca aberta

apoiada no buraco do alfinete
você não abre a boca
não está dizendo coisa alguma
já faz whisky com bar
e já deixou cair pelo chão
guardanapos e rabiscos
técnica e mentira









20090711

Resgates - No mergulho às avessas, de Andréa Catrópa




I

Menina, aquele prédio de santa
Cecília, arruinado

você plantando ervas na sacada
tamanho tinha de nossos pés. O prédio era
azul e branco: você sempre dizia
quando chorava seco sem sua máscara de dormir

me pedia o sexo
sem palavras depois
me pedia o dia

quando eu voei você amaldiçoou
bela como uma bruxa

amor, foi você quem
me jogou pela janela.






AMARELINHA NO CURRAL

Pretinho soltava as rédeas
Gerusa fazia trança no rabo e nas crinas
Lajedo latia
Melissa galopava sem sutiens
Ricardo era um pássaro proibido
Deborah ainda não era gorda
Maria estava branca em sua véspera
de morte

Rosa não era uma máscara, ainda,
e nem seria




MEU AMOR I

mitigada sucessiva
mulher-às-beiras
de vidraças encardidas
pega paninho e
inseticida
faz carinha quando vê uma
barata
esmagada entre os dedos
de seu pé direito
- quer morrer –

não não quer, quer mesmo
que se conte a ela tudo todos
os crimes todas as jaulas
as mais adocicadas

quer mesmo é ter o álibe
de uma ou duas
ameaças

para quando a invejada das gentes
um dia lhe deixar

só a carcaça

20090709

as escolhas afetivas

três poemas meus, 'cante gitano', publicados no

www.asescolhasafetivas.blogspot.com


deixo aqui meu agradecimento ao Renato Mazzini, pelo cuidado e carinho.

20090624

Revista Desassossego

Caros,




É com prazer que anuncio o primeiro número da Revista Desassossego, confeccionada pelo Departamento de Literatura Portuguesa da USP. Há diversos artigos interessantes, nesse primeiro número, cujo tema editorial é, obviamente, Fernando Pessoa. Há ainda, uma entrevista com o escritor e professor da Universidade do Porto, Pedro Eiras, feita por Érica Zíngano; uma entrevista que eu realizei com o Prof. Paulo Borges, diretor da Revista Nova Águia, sobre cultura e lusofonia; além de poesia e ficção inédita.
Espero que gostem!

http://www.fflch.usp.br/dlcv/revistas/desassossego/index.php


abraços,

Roberta