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20140305

António M. Feijó fala sobre o 'falso dia triunfal' de Pessoa

http://videos.sapo.pt/V4jiuzrqi94uDBmNKPOu

mais infos sobre o grupo 'Estranhar Pessoa':
http://estranharpessoa.com/equipa/

20130614

convite pessoano





dentro da pele um amontoado de carne? esta coisa animal?
e o pensamento, imagem abstrata filtrada do sangue? sangue sem sangue de um outro desejo?
entre o que ajo e calo,  é real o pensamento? são sensações o pensamento?
como cheiro, escuto, pego, extravio do corpo, suo, olho, assim também o pensamento?
é o pensamento que move um corpo?
ou é o corpo que move um pensamento?
essas questões, essas dúvidas, que atalhos abrem?
e a escrita, coagula o quê? mais que a mão que escreve o real do agora escrevendo?
e tudo tornado imagem o que devolve? uma voz que atravessada já não é mais voz, é já silêncio?
se posso dizer 'eu' e você também pode dizer 'eu', 'eu' é o quê? 'eu' é de quem?

aqui, no limiar, do corpo por dentro pulsando orgânico, de uma fábrica louca
de encadeadas imagens projetadas para o mundo, um somatório vesgo de real-virtualidade?

as coisas se desdobram, se multiplicam, e o nexo de tudo é a andança liberta das coerências
fora das coerções que um sistema pode apelidar de razão, 'sentido', prumo -

o jardim é de um imenso comércio, e a origem das trocas extravasa a compreensão da matéria,
uma coisa passa de mão em mão e em cada mão é já coisa diferente que segue diferente
para outra mão; a síntese é improvável ou pertence a outro domínio, talvez o chamemos de 'mistério',
talvez 'vida', talvez 'deus', coisas improváveis que, só palavras, trocam de mão em mão, mudando de significado e forma, mudando mudando

chego a estar nalgum lugar da vida, em qualquer hora? chego a ser mais que viagem?
quando tudo é passagem, projeção, memória, e um corpo muito imagem
abstrato até demais, preenchido de pensamento, invisível por dentro, só feito de pele
forma, mudança, aparência, sonhos muito rápidos ou obsessões lentíssimas, o que é que
me identifica? a ideia que tenho de mim? a ideia que tens de mim? as ideias multigerminadas?

que rosto dar a ideia desta manhã?
que tom de voz dar àquele que me diz bom dia todos os dias
embora eu nunca lhe saiba o nome ou o rosto

e esta palavra: plasma ou denuncia? cria ou engana? ou é só palavra-casa
de um ignoto pensar alheio a tudo? palavra-nada?

quando é que alguma coisa, no pensamento, pisa a terra
e sabe a ser mais que evasão, voo, quimera,
mais que espontâneo riso descompromissado e liso
escorregando por tudo aquilo mesmo que se havia dito terra?

abrir uma dúvida é alimentar abismos
único modo de ser asa
quando o mundo nos encaminha
a sermos crias de um juízo

e pensar é sim um modo de sentir
e não é fingir desconhecer-se
pois que nada pára onde respira
nada define o que é ser nada



                                                                    nesta 3af, dia 18/06, 19h45, no encontro de ASTROLOGIA E LITERATURA na MUNDO MUNDANO leremos o conto de F Pessoa, "A hora do Diabo" e o abriremos com palavras do signo de GEMEOS.                                                                 


mais informações e inscrições: contato@mundomundano.com.br



20130613

pessoana | imagens e documentários e etc














ODE MARÍTIMA _ lido por João Grosso




de álvaro de campos _ lisboa revisitada



TABACARIA


20121001

Pessoa e seu longo poema astral



amanhã
às 20hs
estarei no PLANETÁRIO DE SP / Ibirapuera (!)
descortinando fio de estrelas
ao lado do mago-poeta
Fernando Pessoa
e de amigos mais


estou em estado de febril graça
com isso que será prazer e vida

e deixo-me nesta noite
a contemplar o painel (abaixo) de Lima de Freitas
que lá vi, na estação do Rossio...
soberba leitura de Pessoa
e seu 'caminho da serpente'
que foi também um gesto de
abrigar
tudo e todos
nesta morada breve
que fita o céu
de um íntimo
e movente
abismo


salve o 2 de outubro de 2012!



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CONVITE

02 Out 20h00Parque do Ibirapuera - PLANETÁRIO



Diálogo performático sobre constelações entre o artista f.marquespentado, os astrônomos João Paulo Delicato e Walmir Cardoso e a poeta Roberta Ferraz


Confira o que os convidados pretendem explorar no evento:

João Paulo Delicato e Walmir Cardoso
“Em determinadas tradições se diz que o céu influencia as pessoas, mas acreditamos que ocorre justo o contrário: o céu é influenciado por nossa maneira de enxergar o mundo e de concebê-lo. Nós atribuímos os significados para as imagens que construímos socialmente, coletivamente. Seria, no mínimo, exercício de presunção imaginar que o significado concedido por nós a essas imagens são universais. A experiência e o contato com as mais diversas culturas do planeta mostram que a contemplação do Céu é uma experiência local e cheia de significados diferentes para quem observa. Resta-nos, portanto, admitir que olhar o céu a partir de uma única matriz cultural é um ato de empobrecimento da experiência do diverso, tão cara e importante como exercício da diversidade cultural que a paisagem celeste apresenta. Esse é o grande motivador dessa experiência sensorial e científica proposta pelo Planetário de São Paulo e pela Fundação Bienal.”

f.marquespenteado
“Anotações biográficas é a estratégia que vou me ater para comentar sobre algumas passagens que cientistas que me são caros exploraram e, com isso só fizeram por alargar em minha imaginação o entender, o pressentir o Cosmos. Entre outras conexões, uma reflexão de Rudolf Steiner e um manifesto de Konrad Lorenz serão estrelas fulgurantes desta fala animada por imagens. Constelações, a abóboda celeste, o refletir por entre os 360% que constituem a pluralidade que é o livre pensar são algumas das entradas que compõe esse encontro, essa noite afável, inconclusiva, que espera por ti. Eu divido esse trajeto com a fala da querida Roberta Ferraz, ela que apresenta um painel sobre a astrologia por entre a figura de Fernando Pessoa e a sua resplandecente criação, a que ilumina caminhos, incansável a cada leitura. Desde já boas noites e um até lá.” 

roberta ferraz
Nas órbitas de Pessoa - por Roberta Ferraz
Astrologia e literatura têm e tiveram, ao longo de suas vidas, fortes laços amorosos. A contemplação ativa do céu, abrindo nele um lençol metamórfico de histórias, as aproxima, as conjuga. Um dos poetas que sempre estiveram próximo desta atenta arte de observação dos astros foi Fernando Pessoa, que construiu em vida um imenso projeto de experimentação poética, no qual orbitavam elementos e interesses dos mais díspares, sendo um deles a astrologia. Muito mais do que compreensão advinhatória do destino humano, a astrologia muitas vezes pode ser alma e motor de suas criações. Não por acaso, o poeta deixou feitos, de próprio punho, os mapas astrais de seus heterônimos, dando àquelas vidas poéticas um registro astral que os aproximassem do humano, uma data de nascimento, ainda que fictícia.
Passearemos, nesta noite, por uma série de desenhos de mapas astrais, feitos pelo próprio Pessoa, e os conjugaremos com a leitura de trechos de seus poemas. Veremos então a formação de constelações desdobráveis, feitas da soma, sobreposição e imbricação destas duas linguagens: a poética e a astrológica. Arsenal de tempos, ritmos, qualidades, adjetivos, substâncias, as histórias do céu, contadas há milênios pela astrologia, se tornam, nas mãos do poeta, cantos compostos, jogo coral, gente em cena, mito renovado: poema.


Esse evento conta com a parceria cultural do Planetário de São Paulo - Ibirapuera.

Lotação: 280 pessoas
Distribuição de senhas no local 1h antes do evento
Entrada gratuita.
Informações: +55 11 5576.7600
contato@bienal.org.br


20080812

Pessoana / o longe e o Longe


(A Nave, de Sérgio Lucena)

HORIZONTE


Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mysterio,
Abria em flor o Longe, e o Sul siderio
Splendia sobre as naus da iniciação.

Linha severa da longinqua costa -
Quando a nau se approxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe em sons e cores:
E, no desembarcar, ha aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha.

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensiveis
Movimentos da esperança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A arvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade.

(Fernando Pessoa. in Mensagem. Obra Poética. RJ: Ed. Nova Aguilar, 1998)