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20130918

FLAP _ 2013 | convidados latino-americanos vêm também!



IGNÁCIO MUÑOZ (Chile)




YOHANNA JARAMILLO (México)



LORENA SAUCEDO (México)





HÉCTOR HERNÁNDEZ MONTECINOS (Chile)




ENRIQUE WINTER (Chile)


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e de edições anteriores da FLAP, outros poetas que também estão na ANTOLOGIA 2013: 





ÉRICA ZÍNGANO




RICARDO DOMENECK




JÚLIA DE CARVALHO HANSEN




ANA RÜSCHE





ROBERTA FERRAZ, ÉRICA ZÍNGANO & RENATA HUBER


20130901

paisagens poéticas, programa gravado e editado por Renata Roman _ lua, lua, lua, lua

                             cabelos, túnica
                                           buquê de incêndios

foi numa noite de julho? acho que sim, junho, julho, noite de lua, na casa das rosas (!)
naquele banheiro rosa, sentadas no chão, debaixo de uma pia antiga
a porta semi-aberta, um fiscal que passava de hora em hora ali, espiando
um grupo de teatro ao redor da escadaria gesticulava sons altos de talvez um shakespeare
ou um cordel

renata e eu conversávamos sobre poesia, cidade, sons, escrita, desde quando, são paulo, lá atrás,
música, leitores, leituras, portugal, pessoa, futuro, deserto, ciganos, ana c., sá-carneiro, trajetos, av. paulista, gente, sonho

...

depois ela convidou esse cigano do clarinete de Mário Aphonso III, que fez a paisagem virar vertigem e deu ao poema uma casa de vento, provisória, inteira

escutei caminhando pela cidade, a primeira vez, o programa pronto

cada gagueira era um pé torto que quase-caia da calçada
cada ritmo esfuziante uma aceleração estranha, fora de si
e o raciocínio nem é canção nem fado, é passo, é cidade, é agora

fui ouvindo, tão estranho isso, um espelho da voz, um espelho de voz
porque ver-se em imagem, video ou outra coisa parecida captura diferente a compreensão
o só ouvir-se é mágico, experimenta, a voz capta sim algum sopro que fora dela a gente não sabe
um sopro que não tem imagem, só sopro sem rosto, sem prisão, sem caminho
e aquele sonho de ser música ficou audível, comestível

gosto da sensação deste vocabulário da fome para pensar poemas, existência
do desejo

e sobretudo o mais interessante, a mim, ouvindo esse passeio com Renata
é que eu não sabia assim tão forte como quem fala na minha voz
é uma lua aquariana
rainha na voz, soberana, altaneira
não sabia...
a pitada do sol escorpiano está ali
mas exuberante mesmo é a lua
achei engraçado, me comovi disso
nem sabia
quando falo
assim apaixonadamente, tentando
loucamente compreender
(mas compreender é já um heroísmo
e não é tempo para heróis)
(chega deles, não?)
quando falo
ela fala alguém todo mundo
fala a lua
um eu lunar
trêmulo, de faltas enfeitado
desejoso demais
de ser mais vento
do que corpo
mais passagem
do que livro
mais poema
do que poema

e como em julho saturno já vinha vindo,
li poemas do saturação de saturno
e aproveito pra te convidar, pro lançamento

é um convite de uma hora, com clarinete e lua
e deserto e astros e cidade e desvão
desvios, disse, disseram
em que saturar para amar
até o amor de saturno
ser pedra opalina
crista de um sal
lavrado e aberto
caminhada junto
picnic
contigo

te espero lá
e aqui.







20120711

" E arrebitando o beiço do bubu / Ele fez com o cu - psiu! psiu!" _______ uma brevíssima seleção do genial livro que me caiu nas mãos, da plena bibioteca de Hilda!, "CANTÁRIDAS e outros poemas fesceninos", de Paulo Vellozo, Jayme Santos Neves e Guilherme Santos Neves, escritos em 1933!


HOMENAGEM


Leitor amigo, batuta!
nossa homenagem viril,
a ti, meu filho da puta
e à puta que te pariu!”



X
AI, PIMENTA MALAGUETA

Há quem goste de um grande sacanão,
Cara de bunda e boca de boceta
Que, sendo fresco, banca o garanhão
E tem nome de puta: Malagueta...

No dia em que o enrabei, a vez primeira,
Sem saber, acabei me arrependendo.
Antes fodesse com uma pimenteira!
Passei seis dias co’a bichoca ardendo!...

Só podia tragar o Malagueta,
Esse veado de cu de vulcão,
Se me socasse, um dia, uma punheta.

Ele, de médico, é só um arremedo;
Pra mim ele não é nem charlatão:
- É um cagalhão, c’uma esmeralda no dedo...



XI
MEU IRMÃO

Caralho aceso a farejar quiricas
Co’uma tesão de um milhão de velas,
Lamenta, apenas, não ter muitas picas,
Pra foder, de uma vez, a cem donzelas.

Outrora foi pudico (para os trouxas),
Pois, enquanto pensamos que dormisse,
Das criadas vivia a pôr nas coxas,
Por trás daquela falsa pudicície.

Nos cinemas, vivia a amolengar.
Coxas e seios de quem estivesse,
Por bruto peso, junto ao seu lugar.

É meu irmão o fancho Gabiru!
E posso garantir: se o pau lho desse,
Vivia a fornicar o próprio cu...


XII
O IRMÃO DELE

Resfolegando tesão fornicadeira
Por caralhal bicanca larga e tosca,
Tinha em criança uma só brincadeira:
Era pôr grilo para foder com mosca.

Viviam co’o oveiro pendurado
Tod’as galinhas lá do seu quintal;
E só dormia sono sossegado
Quando a madrinha lhe pegava ao pau.

Um dia ele sumiu! Onde estaria
- Perguntava a Maria, a procurar
Na rua, no areal, na padaria...

Por fim, cansada dessa busca incerta,
Quando a Maria resolveu mijar,
Caiu-lhe o Jaime da boceta aberta...




XIV
EMPATA-FODA ***

Redondo cu a palpitar fogoso,
Em meio a um bujão gordo e rosado,
Tinha um pêlo macio e bem sedoso,
Em volta ai caprichoso pragueado.

Tal o cu que um dia eu quis comer,
Arretado qual frade garanhão,
E co’o caralho duro e a tremer
De justificadíssima tesão.

Minha bichoca entrava docemente
Pela mucosa quente, deslizando,
Quando bate um caroço de repente!

Não posso me conter: ‘Paulo, que é isto’
E ele, ainda de gozo se babando:
‘Não se incomode, não, é o meu quisto’...




XLII
TINU CU’MERCIAL ***

Sagaz advogado sem dinheiro,
Que não levava a sério a profissão,
Pensou, e resolveu-se a ser bundeiro;
E pôs para render o seu bujão.

Fez fortuna no novo metiê
Embora fosse grossa a porcaria,
Pois s’engasgasse às vezes num buchê
De pratinhas de dois o bolso enchia.

E como ele era um moço inteligente
Pediu ao Lapisu, inda outro dia,
Que lhe fizesse um cu sobressalente.

E, de fato, era a única solução,
Pois lhe era tão grande a freguesia
Que um só cu não dava mais vazão...


LVIII
PREVISÕES

Já previa que a minha diarreia
Ia inspirar poetas imorais;
Não bastava ao meu cu essa odisseia
De nem ao menos pra peidar ter paz

O Gordo, co’a bicanca arreganhada,
Farejou-me no cu uma amebinha
E tal sarilho armou, em versalhada,
Que cuidei que o meu cu abaixo vinha.

Insultou o meu quisto tão pacato
E que serve ao meu rabo de viseira,
Para livrá-lo de algum desacato.

Com seus versos, o primo do seu Zuza,
Convenceu-me que a minha caganeira
Passou-se de meu cu para sua Musa...



LXXV
COMER UM CU

“Ora (direis) comer um cu! Por certo
Perdeste o gosto!” – E eu vos direi que não,
Pois pra comê-lo, muita vez desperto
E saco a piça, roxo de tesão...

E vou fodendo toda a noite, esperto,
O cu do Comissário Damião,
Enquanto o posto de polícia aberto
Se mantém, sob a minha direção.

Direis agora: “Putanheiro amigo!
Que prazer tiras dessa porca racha,
Que se desprega, à noite, lá contigo”

E eu vos direi: - “Fodei uma traseira!
Pois só quem come cu tem piça macha,
Capaz de fodinhar a vida inteira!”



LXXXVI
CANTATA

Pedi-lhe o cu. Negou-mo! Fez beicinho
Querendo se passar por cabaçudo.
Pedi para meter só um pouquinho
E o fresco Lapisu continuou mudo.

Insisti! – O sacana fez cu doce,
Não quis, ao menos, alisar-me o pau.
Quis beijar-lhe a pachacha. Ele esquivou-se,
Jurando não ser desses... ser vestal.

Perdendo o tino, amolenguei-lhe a bunda.
Esfreguei-lhe o caralho na regueira.
Soprei-lhe, às oiças, u’a proposta imunda!

E desabotoando a barriguilha
Encosteio-o a um canto da banheira
E fodi-lhe, entre os ovos e a virilha...



XCIV
LUTA LIVRE

Foi na Costa... Eu me lembro! Findo o banho,
Nós no quartinho, já sem os calções...
Ele alimpou-me, do caralho, o ranho
Gabou-me o torneado dos colhões...

Quando viu tesa a minha longarina
E a porra a borbulhar dentro do saco,
Pretextando calçar uma botina,
Ficou na posição – cata-cavaco.

Arretado fiquei ao ver-lhe o talho,
De ver também, por entre a pentelhada,
O olho do cu piscar pro meu caralho...

E o Bicanca, jogando o cu pra riba,
Antes qu’eu evitasse a rabanada,
Deu-me um canhão-vovô na burbutiba...


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selecionei estes sonetilhos acima pois foram os que mais me gargalharam! aqueles marcados co asteriscos *** foram os que encontrei marcados por Hilda... ai, como foi boa esta tarde!

20120403

há 96 anos morria Sá-Carneiro, no dia 26 de abril | amanhã, dia 4, na casa das rosas trago-o em trechos de suas cartas, que é contínua a despedida




[trecho de carta de Sá-Carneiro a Fernando Pessoa]

Paris, 13 de julho de 1914
Café Royal

(...) Meu querido amigo, juro-lhe que não exagero, que não literatizo, que não deixo a minha pena seguir inadvertidamente: eu a cada linha mais sua que leio sinto crescer o meu orgulho: o meu orgulho por ser, em todo o caso, aquele cuja obra mais perto está da sua – perto como a Terra do Sol - por o contar no número dos bens íntimos e em suma: porque Fernando Pessoa gosta do que eu escrevo. Não são declarações de amor: mas tudo isto, toda esta sumptuosidade e depois a grande alma que você é, fazem-me ser tão seu amigo quanto eu posso ser dalguém: encher-me de ternuras, gostar, como ao meu pai, de encostar a minha cabeça ao seu braço – e de o ter aqui, ao pé de mim, como gostaria de ter o meu Pai, a minha Ama ou qualquer objeto, qualquer bicho querido da minha infância! Só lhe peço que me desculpe a maneira como me exprimo – mas a única como posso me exprimir em inteira sinceridade. E lastime-me um pouco também. Creia, meu querido Fernando Pessoa, percamos por completo as ilusões: eu toco o fim – um fim embandeirado, mas em todo caso um limite. Acabei já – acabei após a minha chegada aqui. hoje sou o embalsamento de mim próprio. Não tenho estados de alma, nem os posso ter já porque dentro de mim há algodão-em-rama (o algodão-em-rama que há dentro dos animais naturalizados)... Estados de alma, ânsias, tristezas, ideias, grandes torturas de que saíam os meus livros tudo isso acabou... Ilusões de floria, ‘de espanto’ já não existem mais em mim. Entusiasmos do que eu sou, tão pouco, porque se mais sei o que sou. Sou o que quero – o que queria ser, mas sei o que sou. Logo... Meu amigo, eu na vida andei sempre para ‘gozar’, para ser o personagem principal da minha vida – mas hoje já não o posso ser, porque sei de cor o papel – e desempenhar-me só me pode fazer bocejar no grande tablado hoje para mim coberto de serapilheiras – serapilheiras em que se volveram, tapetes roxos que, na verdade, nunca existiram, mas que eu podia, sabia imaginar... depois eu sou uma criança – tantas vezes lho gritei – e a criança hoje vê a sua idade terminada, bem terminada – terminada há muito, mas só hoje, depois da partida do meu Pai para África, da casa desfeita, terminada em ilusão. Para trás de mim existe o irremediável, o que nunca mais se pode repetir mesmo em miragem. (...) Estou só – dos outros – só de mim para sempre. (...) Meu amigo creia-me, tudo quanto doravante eu hoje escrever são escritos póstumos. Infelizmente não me engano – como não me enganei na minha volta a Paris. Não lhe dizia tantas vezes que não me via com uma obra muito longa? Entretanto qual será o meu fim real? Não sei. Mas, mais do que nunca acredito, o suicídio... pelo menos o suicídio moral... Acabarei talvez em corpo exilado da minha alma! (...) E se assim é, se não me engano: eu fui o que quis: a minha obra representa zebradamente entre luas amarelas aquilo que eu quisera ser fisicamente: essa rapariga estrangeira, de unhas polidas, doida e milionária... Perdoe-me mais uma vez tomar-lhe tempo com tudo isto (...). Adeus meu querido Fernando Pessoa. Perdoe-me tudo, tudo.
E um grande, grande abraço do seu pobre

Mário de Sá-Carneiro

20120402

agora aqui! desfiladeiro e cesura, no programa ARTELETRA LITERATURA, gravado em março de 2012, com apresentação de Maria José Petri

além do queridíssimo Ricardo Pinto de Souza, que foi bem citado durante nossa fala,
ficou faltando dizer bem alto e calorosamente a linda Raquel Menezes, que esteve tão
íntima do percurso do meio ao fim, do desfiladeiro. Se Ricardo puxou o fio, Raquel desenhou o novelo. Raquel e Luis Maffei, dupla mais que adorada. Salve salve Oficina Raquel! Gracias!




20120325

C_O_N_V_I_T_E_________ noite dos 4 cantos: poesia francesa, no CENTRO CULTURAL SP | sexta, 30 de março, às 20h30 | gratuito

caros,


é com o prazer total que eu e danilo bueno nos debruçamos sobre este leito
sinuoso e aromático da langue française
e dali colhemos picantes frutas de palavras
ressuscitando uma exímia trupe báquica
que a nós se juntará na próxima sexta, dia de oxalá:


que venha arthur!


que venha andré!


que venha anna!



que venha guillaume!



que venha marguerite!




que venha robert!



todos virão!


como se não bastasse a presença destes e d'outros amores
haverá ainda
M_ú_S_I_c_a
com a soprano Laura de Souza e a pianista Dana Radu
interpretando belezas de debussy, fauré e duprac!




é só aparecer também! axé!

20120305

ainda Calixto, Fabiano: ecos, para quem quiser mais


FABIANO CALIXTO publicou os seguintes livros de poesia:

“Algum” (edição do autor, 1998),

“Fábrica” (Alpharrabio Edições, 2001),

“Música possível” (CosacNaify/7Letras, 2006)

e “Sangüínea” (Editora 34, 2007).

FABIANO CALIXTO nasceu em Garanhuns, PE, em 1973. É mestrando em Teoria Literária e Literatura Comparada na Universidade de São Paulo - USP. Tem poemas e artigos publicados em vários jornais e suplementos do Brasil e do exterior. Publicou os seguintes livros de poesia: “Algum” (edição do autor, 1998), “Fábrica” (Alpharrabio Edições, 2000), “Um mundo só para cada par” (Alpharrabio Edições, 2001), “Música possível” (CosacNaify/7Letras, 2006) e “Sangüínea” (Editora 34, 2007) – este finalista do Prêmio Jabuti de 2008 na Categoria Melhor Livro de Poesia. Publicou também o livro de poemas infantis “Pão com bife” (Edições SM, 2007). Organizou, com André Dick, o livro-homenagem a Paulo Leminski, “A linha que nunca termina – Pensando Paulo Leminski” (Lamparina, 2005). Traduziu poemas de Gonzalo Rojas, Allen Ginsberg, John Lennon, Laurie Anderson, entre outros. Traduz atualmente a obra de Benjamín Prado. Edita, com Angélica Freitas, Marília Garcia e Ricardo Domeneck, a revista de poesia Modo de Usar & Co. Prepara atualmente seu novo livro de poemas, intitulado “Nominata morfina”.




entrevista com FABIANO CALIXTO _ para o ONDAS LITERÁRIAS, poesia contemporânea brasileira, produzido e dirigido pela querida Andréa Catrópa



aqui, Fabiano lê texto inédito, "Instruções para compor um folk" de seu próximo livro!

20120228

sylvia plath: entrevista/documentário/diário/descida (em 6 partes) _ meu segundo carnaval

parte 1, daqui será sempre Sylvia lendo Fever 103: não acaba o fim do fogo, o laço de fumaça para a angústia, não acaba mesmo morto, o fogo



parte 2
, dear diary, a máquina de escrever é uma extensão de meu corpo e my final memory of the sea is a violence



parte 3
, mademoiselle, that was my last act of love: she loved to show her scars, it all have stars



parte 4, a lua e o teixo: my heart under your foot



parte 5
, steam, the moon is no door: dark crime, I live here



parte 6, edge, misterious fevers, boiling heart


20120115

leitura do poema 'recinto e redor', de 'lacrimatórios, enócoas'

este poema encanta uma fusão dosada harmônica do que, em mim, sempre foi a busca de entrar n'água e sair dela, com outra pele. é dioniso no que tem de entrega. é medicinal, passo a passo, comovido. para ainda entrar em 2012 e nos meus 31 anos. te escuto, poema.