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20131217

poema de Cesariny para Pascoaes, escrito em 1967

à memória de Pascoaes


Ouro trigo leão e prata e crina
Te esperam sob o vaso menstrual.
Separarás primeiro a água e a mina
Porque a água não é um mineral

No coágulo te espera areia fina
E sob a areia planta sideral
Que no manto do rei verde se combina
Porque a planta não é um vegetal

Ao homem cabe o ouro de buscá-lo
E a sua cria morta ou imortal
Retirarás do ventre de cavalo
Porque o homem não é um animal

E se o espelho de cobre te fascina
Se te aparece o monstro do umbral
Que à ígnea terra o atro abismo ensina
E nas trevas afunda o bem e o mal

Recolhe fende expurga e ilumina
E com espada de fogo talha e inclina
Porque o fogo não é o seu sinal


e à Maria Amélia e ao João

Cesariny, 1967





(com amor encontro agora este poema
dia intenso em que chegou também à lua
o barco autorretrato de velho menino)





20081209

crônica portuguesa

os enormes bichanos rondando a ruína do Castelo / Lisboa



















cuidado, é muito provável que atravesse um senhor com chapéu e sua criança menina de saias e canelas grossas, atenção / Lisboa


em Lisboa os passos convidam ao mar, convites inevitáveis...


os painéis do Lima de Freitas na estação do
Rossio, aqui "Fernando
Pessoa e o Caminho da serpente" / Lisboa











como já dizia Amália... "Lisboa cheira à castanha assada
quando está frio, cheira à fruta madura quando é verão"


viela de Alfama, labiríntica sonda branca
de varais / Lisboa




a estrutura do metal é leve confundida com os próprios
galhos do buganvile, sobre o qual os homens mais velhos
jogam cartas e dados, numa tarde cotidiana de Lisboa


negativos... os dias caminhantes ao lado da sombra/ Lisboa



recortes das tonalidades Lisbonenses: telhas e Tejo



o lodo dos desejos / Palácio de Queluz











escarpas aladas do Cabo Espichel, onde a terra acaba e o
mar começa...



















a cantiga das casas / Lisboa




































no Bussaco, a capela de pedras coloridas
resquício vivo do misticismo do Samico...



fantasmagoria da última realeza lusitana / Bussaco









o convite torto elíptico das pedras portuguesas na praça
do museu surrealista / Vila Nova de Famalicão






saudar Cesariny / Vila N. de Famalicão




as pedras do rio da minha aldeia, Tâmega / Amarante

uma choupana pra se comer e beber
cabritos, caldo verde, leite creme / Braga

entrada ou saída para ruínas romanas /
Braga






















o cheiro mais presente do inverno: castanhas portuguesas / Braga



















silêncio, entramos no escritório do Pascoaes...
Marão / Amarante



















é esta a casa de meus sonhos: varanda florida em
rubro debruçada sobre o Tâmega / Amarante

























a despedida cravada na passagem, o nome do rio
o nome do rio
o nome do rio