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20151104
20131217
poema de Cesariny para Pascoaes, escrito em 1967
à memória de Pascoaes
Ouro trigo leão e prata e crina
Te esperam sob o vaso menstrual.
Separarás primeiro a água e a mina
Porque a água não é um mineral
No coágulo te espera areia fina
E sob a areia planta sideral
Que no manto do rei verde se combina
Porque a planta não é um vegetal
Ao homem cabe o ouro de buscá-lo
E a sua cria morta ou imortal
Retirarás do ventre de cavalo
Porque o homem não é um animal
E se o espelho de cobre te fascina
Se te aparece o monstro do umbral
Que à ígnea terra o atro abismo ensina
E nas trevas afunda o bem e o mal
Recolhe fende expurga e ilumina
E com espada de fogo talha e inclina
Porque o fogo não é o seu sinal
e à Maria Amélia e ao João
Cesariny, 1967
(com amor encontro agora este poema
dia intenso em que chegou também à lua
o barco autorretrato de velho menino)
20081209
crônica portuguesa
os enormes bichanos rondando a ruína do Castelo / Lisboa

os painéis do Lima de Freitas na estação do
recortes das tonalidades Lisbonenses: telhas e Tejo

saudar Cesariny / Vila N. de Famalicão

as pedras do rio da minha aldeia, Tâmega / Amarante
uma choupana pra se comer e beber
cuidado, é muito provável que atravesse um senhor com chapéu e sua criança menina de saias e canelas grossas, atenção / Lisboa
em Lisboa os passos convidam ao mar, convites inevitáveis...
os painéis do Lima de Freitas na estação do
Rossio, aqui "Fernando
como já dizia Amália... "Lisboa cheira à castanha assada
viela de Alfama, labiríntica sonda branca
de varais / Lisboa
a estrutura do metal é leve confundida com os próprios
galhos do buganvile, sobre o qual os homens mais velhos
jogam cartas e dados, numa tarde cotidiana de Lisboa
recortes das tonalidades Lisbonenses: telhas e Tejo
escarpas aladas do Cabo Espichel, onde a terra acaba e o
no Bussaco, a capela de pedras coloridas
o convite torto elíptico das pedras portuguesas na praça
saudar Cesariny / Vila N. de Famalicão
as pedras do rio da minha aldeia, Tâmega / Amarante
uma choupana pra se comer e beber
cabritos, caldo verde, leite creme / Braga
entrada ou saída para ruínas romanas /
20081103
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