20111028

revista dEsEnrEdoS | tradução de poemas de Anne Carson

anne carson





saiu, na última edição da dEsEnrEdoS, três poemas da poeta canadense Anne Carson que traduzi, de seu livro the beauty of the husband. Anne Carson arrebatou-me, grata que sou ao Guilherme Coube que um dia me chegou: "Você ainda não conhece a Anne Carson...????" e pronto, tiro certo, caçada exitante, cá estou. Sigo traduzindo, arrebanhei tudo que encontrei dela, sigo traduzindo, o humor ferino, a língua que se abre em duas com ferrão no meio, aquela agulha fina no miasma da coluna, sabe como é? A beleza do marido é um livro que se diz 'um ensaio ficcional em 29 tangos'. No tango, dizem, a mulher obedece. Não só no tango. Não só. Mas ali, dizem, no tango, se a mulher se pensa menos que rendida, meu bem, tropeça e quebra. E se bobear, apanha. Do chão. E lá deitada, como sempre deitada, até à morte deitada, ela contempla, muda, como é incrível, inebriante a beleza do marido.










A BELEZA DO MARIDO



um ensaio ficcional em 29 tangos



ANNE CARSON


Trad. Roberta Ferraz



I. DEDICO ESTE LIVRO A KEATS (FOI VOCÊ QUEM ME DISSE QUE KEATS ERA MÉDICO?) NA DEIXA DE QUE
UMA DEDICATÓRIA DEVE SER FALHA SE O LIVRO SE QUER
SOLTO E EM SUA ENTREGA TOTAL À
BELEZA










Uma ferida distribui sua própria luz
diz o cirurgião.




Se todas as lâmpadas da casa se apagassem
você poderia vestir essa ferida
pelo que dela brilha





Doce leitor eu apenas ofereço uma analogia.


Uma lacuna.

“Use lacuna ao invés de foto ou quadro –
um atraso no vidro
ou como você diria um poema em prosa ou escarradeira de prata.”
Então Duchamp
e seu A noiva despida por seus celibatários, mesmo

que se quebrou em oito peças no deslocamento do Brooklyn Museum



para Connecticut (1912).




O que resta em atraso?






Casamento eu acho.


Aquele lugar oscilante como dizia meu marido.
Veja como a palavra
brilha.





III. E FINALMENTE UMA BOA DEDICATÓRIA É INDIRETA



(ÓBVIA, ETC.) COMO SE “LA DONNA È MOBILE”
DE VERDI FOSSE UM POEMA RISCADO NO VIDRO



Sua amante na época – inclusive a própria ideia de ‘amante’ para ele – era francesa.



Seus amigos me contaram que ela não se lavava e que nos bares tendia



a pedir litros de champanhe às suas custas.
Eu posso imaginar como ele deve ter franzido, xingado, suspirado, levantado a mão e
[adorado isso.




Ele me levou a um filme sobre uma livraria em Paris



cujo dono gostava que sua assistente
subisse uma escada para pegar um livro enquanto ele deslizava a mão perna acima.
Apenas isto – uma mão, momentânea. O corar da moça aquece a trama.
Toda vez que ele dizia Vai, acima ela ia.



Como é que as pessoas se apoderam umas das outras ele disse sonhador quando saímos para a rua.
Contusões também o enchiam de curiosidade.


Eu não pude corresponder a essa necessidade,



Parece que ela sim. Falo dos banhos porque isso me intrigou por que é que


nada disso parecia sujo na percepção dele
Nada disso era orgástico para ele,

esse impulso – analítico você poderia dizer, como se descobrindo um novo cristal.
É a inocência apenas um dos disfarces da beleza?
Ele poderia preencher estruturas de
ameaça como luz de um azeite virgem. Eu comecei a entender a natureza
como algo em costura e dentro da qual alguém se precipita, ao escuro.
Sim, estou adiando outra vez.

Vestida com chamas e rolando pelo céu é como me senti na noite em que ele me disse
que tinha uma amante e com orgulho tímido
deslizou a fotografia.

Eu não posso ver o rosto disse com ódio, jogando aquilo abaixo. Ele me olhou.
Estávamos na janela (restaurante) bem acima da rua,
casados há pouco mais de um ano.


Foi rápido, hein? Vai dar uma de esperta disse ele.
Quebrei o vidro e pulei.
Agora você sabe é claro

esta não é a história verdadeira, o que quebrou não foi vidro, o que caiu não foi corpo.
Mas ainda quando lembro da conversa é o que vejo – eu um piloto de caça
resgatado sobre o canal. Eu passível de morte.

Oh não não somos inimigos ele disse. Eu te amo! Eu amo vocês duas!
E não é o Sr. Rochester quem range os dentes e nos diz
em menos de dois minutos com seu deslizante silvo doentio

o ciúme pode corroer as entranhas de tudo, esta fórmula lhe ocorrendo
quando ele se sentou no amílscar e âmbar
de um balcão parisiense
assistindo sua diva chegar nos braços de um estranho cavalheiro?



Continuar humano é romper um limite.



Goste se puder. Goste se ousar.







VI. PARA LIMPARMOS SEUS CASCOS SEGUE UMA DANÇA


EM HOMENAGEM À UVA QUE ATRAVÉS DA HISTÓRIA
É SÍMBOLO DE JÚBILO E ALEGRIA PARA NÃO DIZER
ANALOGIA À NOIVA COMO INTACTA FLORAÇÃO
Cheiro
Eu nunca vou esquecer.
Lá fora atrás do vinhedo.
Casa de pedra talvez um abrigo ou uma geleira já sem uso.
Outubro, friozinho. Feno no chão. Tínhamos ido à fazenda de seu avô para ajudar a

esmagar
as uvas para o vinho.
Você não imagina a sensação se nunca fez
como densos bulbos de um cetim molhado e carmim explodindo sob os pés,
entre os dedos e acima nas pernas braços rosto espirrando toda parte
Aquilo atravessa suas roupas você sabe ele disse enquanto macerava acima e abaixo

na cuba.
Quando você tirar tudo



vai ter suco pra todo lado.



Ele me olhou e disse Vamos ver.



Nua na casa de pedra era verdade, manchas pegajosas, pele, me deitei no feno



e ele lambeu.




Lambeu até sair.



Correu e trouxe mais borras em suas mãos e besuntou



lambendo meus joelhos pescoço umbigo. Colhendo. Mergulhando.



Língua é o cheiro de outubro para mim. Me lembro como é



como se nadasse num rio veloz pois eu continuava mexendo e era difícil me mexer






enquanto ao meu redor
tudo se mexia, aquele cheiro
de terra virada e plantas frias e a noite chegando e
a antiga cuba transpirando lentamente no crepúsculo lá fora e ele,



suco cru nele.



Fios de estame nele



e como disse Kafka no fim


meu esforço era inútil você sabe eu não sei nadar afinal.
Acontece que mais de 90% das uvas cultivadas são castas da


Vitis vinifera
a uva do Velho mundo ou Européia,
enquanto as nativas Americanas derivam


de certa casta selvagem da Vitis e diferem em seu cheiro brejeiro


e também no fato de suas peles se soltarem tão escorregadias da polpa.


Uma uva ideal para o vinho
aquela que é facilmente esmagada.
Coisas que aprendi do avô
quando tarde da noite nos sentamos na cozinha quebrando castanhas.
Também que de maneira alguma eu deveria me casar com o seu neto
a quem ele chamava tragikos um termo rústico que significa tanto trágico como cabra.






ps. clicando na revista, edição bilíngue dos poemas.


ps. deixo registrado aqui o agradecimento sem fim à minha mãe, que muito ajudou na tradução e à linda belosa, que passou a noite saboreando cada uma das ironias do texto, trazendo-o comigo até aqui

20111019

lançamento desfiladeiro e cesura | SP | Casa das Rosas | 14.10.2011



com a querida Valu Oria



com a lindíssima de rosa-choque Ana Rüsche



a bela família da OFICINA RAQUEL, Luis Maffei, Raquel Menezes e Dioniso



casal compenetrado



Marcelo com os queridos Paulo e Cesar





essa é a imagem da saudade, ò renata huber, irmã



sergio chega para abraçar o filho




conosco, o escritor alex castro recebe seus convidados





delícias de companhia: danilo, renan, renata e aninha




marcelo recebe abraço de Fernando




apesar de chuvosa, a noite foi mesmo ardente, solar! Como disse o doctor, 'a gente esquenta rápido'... !

agradeço a todos os que passaram por ali e deixaram conosco o abraço e levaram consigo o corte e o íngreme das páginas

20111018

sequência quase calada | fotonovela do 'desfiladeiro' e 'cesura' (pares constantes) em Ribeirão Preto, indo e vindo, passando por Saturnia

começa-se, assim, lentíssimo, molhado

































































































e fecha-se aqui, no princípio do que-vai-volta, esperas, saturnios

FESTA DA IARA, vamos?

nós, as 4 peixes *quatropeixes.wordpress.com* vamos e cuidaremos do sarau!
a festança promete!
venha!!!!!!!




F esta da Iara



Música. Poesia. Performance. Videoarte.
São os destaques da Festa da Iara
22 de outubro, sábado, das17h às 22h na Casa ao Cubo

A editora e produtora cultural, Publicações Iara - em parceria com a Casa Ao Cubo - apresenta a Festa da Iara, uma celebração da poesia e das artes visuais contemporâneas. A programação conta com sarau organizado pelo coletivo Quatro Peixes, composto pelas jovens poetas Ana Rüsche, Maiara Gouveia e Roberta Ferraz; pocket show da cantora Rafaela Rabesco com Aline Scolfaro no violão e o tecladista Carlos Eduardo Paiva da banda Tia Landa; performances de Gisele Inácio, Débora Nowak e uma participação surpresa. .

Poesias, vídeos e instalações sonoras ocuparão o espaço da Casa Ao Cubo, um típico sobrado paulistano localizado na Vila Mariana. Elizandra Souza, Fernanda Grigolin, Flávio Louzas, Gisele Inácio, Julia Alquéres, Juliana Amato, Karina Francis Urban, Patrícia Francsco, Pedro Tostes, Tomaz Sá, Daniel Minchoni e Sinhá participam das intervenções artísticas cuja curadoria é de Publicações Iara com apoio do projeto Poesia Pod.

Para encerrar a festa haverá bolo e o show da banda, The Outside Dog. Convidado especial da Casa ao Cubo, o quarteto, composto por Pedro Gama, André Sanches, Ciro Jarjura e Dmitri Medeiros, estará com seus violões de aço, banjos e gaitas para fechar a festa com uma grande dose de Folk e Rock and Roll.


Programação:

17h Performance de abertura Gisele Inácio
17h30 às 19h Sarau coordenado por Quatro Peixes
19h às 20h Pocket show Rafaela Rabesco com Aline Scolfaro e Carlos Eduardo Paiva
20h às 20h30 Performance de Débora Nowak
20h30 às 22h The Outside Dog e Performance de Gisele Inácio

Serviço:
Festa da Iara 22 de outubro (sábado) 17h às 22h.
Casa Ao Cubo - Rua Sud Menucci, 342 - Vila Mariana, São Paulo. (Veja o mapa)



Para conhecer um pouco mais sobre a festa, acesse: http://publicacoesiara.com.br/?p=1628
Para ouvir a cantora que irá se apresentar http://publicacoesiara.com.br/?p=1613 (música São João) e neste outro http://publicacoesiara.com.br/?p=1582 (música de Itamar Assumpção).

Abaixo informações sobre os grupos e artistas.

Publicações Iara espaço colaborativo em arte contemporânea no formato de editora e produtora cultural. Localizada em São Paulo, como editora é especializada em livros impressos de alto padrão e de tiragem limitada; como produtora atua em eventos literários e de artes visuais. Assessora jovens artistas. Seu site: www.publicacoesiara.com.br

Casa Ao Cubo visando o processo de produção compartilhado e discussão de processos artísticos contemporâneos, o espaço apresenta exposições, saraus, shows, e oferece uma grade diversificada de cursos e workshops.


Poesia Pod projeto de Pedro Tostes e Tomaz Sá. É um podcast focado na poesia contemporânea brasileira. São poesias lidas pelos autores e algumas releituras sonoras propostas pelo editor Pedro Toste.Tudo isso a fim de ampliar para os ouvintes/leitores a experiência da degustação da obra dos convidados. http://poesiapod.tumblr.com/

Radio Comunitária Heliópolis uma emissora comunitária sem fins lucrativos. Criada e dirigida pela UNAS – União de Núcleos, Associações e Sociedades de Moradores de Heliópolis e São João Clímaco. http://www.heliopolisfm.com.br


Luz em Cena iniciativa de foto e vídeo. O artista Leandro Souza participará das filmagens. http://www.luzemcena.com.br/


Grupos convidados

Tia Landa grupo de MPB de Araraquara (SP). O grupo tem no seu repertório samba raiz, MPB e musica paulistana. Estará representado por Rafaela Rabesco (cantora), Aline Scolfaro (violão) e Carlos Eduardo Paiva (tecladista).

Quatro Peixes grupo de estudos & criação literária. Ana Rüsche, Maiara Gouveia e Roberta Ferraz decidiram investigar as inúmeras relações entre violência e representações do feminino. Eventos mensais pra compartilhar resultados e planos de criação literária integram o projeto das escritoras. http://quatropeixes.wordpress.com

The Outside Dog Nesse show a banda apresentará versões desplugadas das músicas do seu primeiro álbum, lançado em Junho desse ano, além de releituras de Bob Dylan , Neil Young e Tom Petty. Fazem parte da banda: Pedro Gama - Violão, Banjo e Voz; André Sanches – Baixo; Ciro Jarjura – Gaita e Dmitri Medeiros - Bateria


Um pouco sobre os artistas participantes

Aline Scolfaro Etnóloga e professora, mas nas horas vagas se dedica à seu instrumento favorito que é o violão. Atualmente faz mestrado em antropologia social na Ufscar, trabalhando com grupos indígenas do noroeste da Amazônia, mas sempre que dá se reúne com amigos e colegas músicos para tocar e cantar.

Ana Rüsche Escritora, 1979. Publicou os livros de poesia Rasgada (Quinze &Trinta, São Paulo: 2005; Ed. Limón Partido, Cidade do México: 2008, tradução Alberto Trejo, rev. Alan Mills), Sarabanda (Selo Demônio Negro, SP: 2007) e Nós que Adoramos um Documentário (Ed. Ourivesaria da Palavra, SP: 2010). Em prosa, publicou o romance Acordados (Ed. Amauta, Brasil: 2007). www.anarusche.com

Carlos Eduardo Paiva
Toca teclado, escaleta e acordeom. Durante quatro anos participou da banda Estamos Aí e desde 2004 faz parte da Tia Landa. Atualmente faz doutorado na Unesp, mas desde o mestrado estuda o samba da década de 1920, focando em ‘Palmeira do mangue não vive na areia de Copacabana’, o samba do Estácio.

Débora Nowak Cursa Artes Visuais na Belas Artes. Desde a infância envolvida com teatro e dança, os quais se tornaram grandes influências em seus trabalhos artísticos. Trabalha com produção, montagem de exposições e ação educativa em museus. Hoje, dedica-se ao desenvolvimento do Ateliê Cultural Casa ao Cubo, e a sua produção artística.

Elizandra Souza Jornalista e editora da Agenda Cultural da Periferia. Autora do livro de poemas Punga (EdiçõesToró), escrito com Akins Kinte, teve poemas publicados na revista Caros Amigos – Literatura Marginal e em edições dos Cadernos Negros. Site: mjiba.blogspot.com

Fernanda Grigolin Artista visual. Pesquisa a relação da fotografia com a literatura e da fotografia com as histórias de vida. Publicou Retratos da Garoupa. É sócia-fundadora da Publicações Iara. Participa da Edith e tem trabalhos em diversos formatos, como: livros, videos e exposições. Foi ativista social por dez anos. Possui especialização em Direitos Humanos (USP). Viajou pelo mundo. Não dirige, caminha. Seu site: fernandagrigolin.com

Flavio Louzas Rocha (palhaço Bartolomeu) arte educador licenciado em artes Cênicas pelo Instituto de Filosofia, Arte e Cultura da Universidade federal de Ouro Preto – MG, pós graduado em Comunicação: Linguagens Midiáticas. Desenvolve pesquisa sobre o Palhaço, figuras cômicas e metodologias de ensino e aprendizagem de “teatros”. Autor de “Desideia Seminova” (2011), livro de poesia inspirado no que já foi chamado de “poesia marginal”, propõe a “transbordelia”, a poesia além margem, a poesia que tá aí pra transbordar.

Julia Alquéres Jornalista, roteirista e escritora nas horas vagas. Passou pela redação da Revista Cult, foi assistente de roteiro do programa Troca de Família, da Rede Record, e do programa Quando Toca o Sino, da Disney Channel. Trabalhou no projeto cultural Praler, que desenvolvia atividades de incentivo à leitura junto a grupos em situação de vulnerabilidade social, e coordena Oficinas de Leitura na Oficina de Escrita Criativa. Tem poemas publicados na antologia "21 poetas de hoje em dia(nte)", da Letras Contemporâneas.

Juliana Amato Poeta, tradutora e editora de texto. Graduada em Letras na Universidade de São Paulo, tem poemas publicados na antologia Ávida Espingarda, editada pelo Selo E, da Editora Annablume. Mantém há três anos o blog MICROCLIMA (julianamato.blogspot.com), onde publica seus poemas, e escreve sobre cinema, outra paixão, na Revista Psicanalítica (psicanalítica.com.br).

Gisele Inácio Atriz, arte educadora e artista visual. Formada em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Ouro Preto (MG), fez parte do CPT – Centro de Pesquisa Teatral – coordenado por Antunes Filho em São Paulo. Atua como atriz, assistente de direção, preparadora de elenco e com produção artística em diversos grupos e núcleos artísticos pelo Brasil. Pesquisa teatro documentário, e a relação das artes cênicas com as artes visuais e é sócia-fundadora das Publicações Iara.

Karina Francis Urban Designer especializada em livros e produtos literários e de artes visuais. Sócia-fundadora da Publicações Iara. Desenvolve pesquisa e conteúdo para projetos culturais. Cinema e cotidiano são suas fontes de inspiração. Atualmente presta serviços para empresas voltadas à cultura, como para o site da editora EDITH.

Maiara Gouveia Autora de Pleno Deserto (Nephelibata: 2009) e de outros livros, à espera de publicação. Participa de revistas e antologias em países da América Latina e também em Portugal, na Espanha e nos Estados Unidos. http://ocorpoestranho.wordpress.com

Patrícia Francisco Diretora, montadora e artista plástica. Mestre em Artes pela Universidade de São Paulo. Trabalha entre as artes plásticas e o cinema, realizando instalações, filmes, fotografias e livros. Seu site: www.patriciafrancisco.com.br

Pedro Tostes Poeta e livreiro. Foi editor do zine "Revista Não Funciona" e publicou em diversas antologias e jornais literários. Participou de vários festivais e mesas de debates como Off-FLIP, Semana de Arte de Santa Tereza, FLAP, Cartografia Literária (SESC, 2007) e Bienal de Arte e Cultura da UNE. Atualmente é editor de poesia da Iara Publicações e atua como produtor e editor no projeto PoesiaPod. Como autor, publicou os livros "o mínimo" (Ibis Libris, 2003) e "Descaminhar" (Annablume, 2008).

Rafaela Rabesco Cantora e arte-educadora. Formou-se em ciências sociais pela Unesp em 2008, focando os seus estudos em estética literária. Desde 2004, re-lê e interpreta junto à banda Tia Landa, compositores como Itamar Assumpção, Cartola, Luiz Melodia e Tom Zé.

Roberta Ferraz Autora do livro de contos Desfiladeiro (2003, Ed. Nativa) e dos livros de poesia lacrimatórios, enócoas (2009, Ed. Oficina Raquel); Dioniso e Ariadne (2010, edição do autor) e fio, fenda, falésia (2010, edição de autor/apoio Proac), escrito em parceria com Érica Zíngano e Renata Huber. Mantém o blog http://www.eleusiana.blogspot.com/. Acaba de relançar, totalmente reescrito e transtornado o livro desfiladeiro, pela editora Oficina Raquel, 2011.

Tomaz Sá Músico e produtor de áudio. Foi cantor e produtor da banda Wohralla, que teve canções executadas nas rádios 98FM; Inconfidência; Gerais FM; PUC FM; Guarani FM (Minas Gerais) – Rádio Cidade(Rio de Janeiro) e Mix FM (São Paulo). Compos e cantou jingles para a Casa Antiga Estúdio.

20111014

águas irreais para o desfiladeiro

é hoje

noite nublada, dança dos azuis, espiga esfumaçada girando sobre são paulo
dança uma flor, tão solitária
aguapés acesos nestas águas irreais
aves de puro carmim
e constelações


não tem mais fim...

para brindar a data a música mais íntima desse desfiladeiro, hoje

20111013

desfiladeiro nas mãos








recebi apenas ontem à noite, insônia a noite, debruo _____

está lindo, especialíssimo, e o giro refaz o circuito de lá adiante atrás

quando Virgínia leu e disse a Ricardo que lesse e quando Ricardo recebeu

o exemplar já roto da edição passada com a dedicatória exclusiva de que "só não vale ler", mas ele leu ou leu depois, quando comecei a operar os textos

tirar sangue das páginas acumuladas _____


mas antes, ainda lá, lembro da nota no jornal anunciando um 'concurso caça talentos'

promovido em 2003 pela Editora Nativa, enviei os originais, me chamaram, Hélio, o antigo editor

homem cavernoso e puro donativo, sol me empurrando para o desfiladeiro, vai, coragem, menina _____ então foi meu pai e foi a Vera Bastazin também a dizer vai e a Iole de Freitas a desenhar para mim as colunas primeiras, o traço de fundação, se você entrar não tem volta, tem voltas, vai_______ durante isso tudo, dourado, Fernando, companhia-sem-fim, exata, pedra rara______


e voltando ainda além foi uma tarde com os meus dezoito, dezessete anos em Ribeirão Preto após uma caminhada no fim-de-tarde
o corpo anestesiado, era tanto grito, grito que nem era dele
mas de um excesso de palavra de um desejo de dizer a partir de um lugar
dizer sim mulher violência mar silêncio ruído, coisas de lua e netuno, coisas de vênus
e plutão ______ e nascia 'nódulos do balaústre', conto de abertura dos desfiladeiros, primeiro portal
se você tiver o fôlego para ainda ir
lembre-se, é desfiladeiro e é noite
abaixo o leito de pedras é tua grave esperança
o grave repouso enquanto
isso, caminhante, tateia o corpo das pedras o coração denso delas

veja se há parelha de corpo entre o íngreme das sequências
e a pouca chance de saber
evasivo espelho, espectros, erra, errante, errância _ lá dentro do escuro
no verbo mais encardido
e exausto




pode ser o amor




começo tudo outra vez, este novo desfiladeiro, aqui em mãos, para te abrir
ao meio
comigo





vem _____________ ?

20111010

welcome to coolage

carolina bertier








essa mulher simplesmente
recorta cola retortas todas
e abre um dia por dia
o teu reverso em imagem




venha ver(-se): aqui