20130509
20130503
a casa e seus cantores | casa do sol | matéria na revista SARAIVA
| Casa onde viveu Hilda Hilst vira refúgio para escritores em busca de inspiração | 02. 05. 2013 |
Literatura
|
Visitantes passam temporada na casa onde a cultuada escritora morou, no interior de São Paulo
Por Carolina Cunha
No começo só havia capim e uma figueira. E foi ao lado dessa poderosa árvore que, em 1965, a escritora Hilda Hilst construiu sua residência, em um lugar afastado no interior de São Paulo. Batizada de Casa do Sol, a chácara próxima de Campinas foi moradia da autora durante quase 40 anos e o local onde produziu a maior parte da sua obra.
A casa logo se tornou um ponto de encontro de amigos de Hilda, muitos deles escritores que por ali viveram alguns dias e também escreveram, como Caio Fernando Abreu, Lygia Fagundes Telles, o poeta Bruno Tolentino e o espanhol José Mora Fuentes.
Depois que Hilda morreu, em 2004, a chácara foi tombada e tornou-se a sede do Instituto Hilda Hilst (IHH), criado para preservar sua memória. A decoração do local traz móveis e objetos originais, como fotos, quadros e esculturas. Um dos xodós dos visitantes é a biblioteca, com obras que fizeram parte do acervo da escritora.
Desde 2012, a organização recebe hóspedes para residências artísticas. Em busca de tranquilidade e inspiração, pessoas de todo o país pagam para morar em algum dos quartos a fim de realizar umprojeto artístico. A estadia pode variar de uma semana a um mês.
“Fizemos uma retomada do que Hilda já fazia quando morava na Casa do Sol: receber amigos e artistas. Só que dessa vez resolvemos institucionalizar as residências, como dizia Hilda, fazendo com que o ‘espírito da coisa’ continuasse”, diz o artista plástico Jurandy Valença, diretor de projetos do IHH.
![]()
Hilda Hilst, em seu escritório na Casa do Sol
|
Mais de 30 pessoas já passaram pela experiência. O perfil é diverso, formado por escritores, fotógrafos, artistas visuais, pesquisadores e atores. Jurandy reconhece que a vocação da casa é ser um espaço de criação, e os únicos critérios para a pessoa ser aceita são “conhecer a obra de Hilda e gostar de cachorros”. A escritora era apaixonada por cães e, hoje, onze vira-latas circulam pelos cômodos e área externa. Um deles, Nenê, é do tempo em que a escritora estava viva.
O primeiro a se hospedar foi um rapaz que queria escrever poesias; depois, a escritora paulista Roberta Ferraz, que seria a segunda residente do projeto. Desde 2010 ela tentava tirar do papel um texto inspirado na dona da casa, de quem é fã. A residência foi o pontapé que faltava. “Hilda é, para mim, de longe, a força mais intensa na literatura”, diz.
Roberta passou 15 dias na casa e conta que teve dificuldades para “soltar a mão”. Estar dentro da residência da escritora a deixou numa espécie de paralisia. “No primeiro dia, quase não consegui me mexer, quem dirá escrever ou mesmo falar. Fiquei pasmada, ali, rodopiando, olhando as dimensões daquele lugar que eu já tinha desenhado mil vezes na cabeça”.
Para tentar destravar, ela começou a escrever sobre suas sensações em um blog. Depois, encontrou refúgio dentro da biblioteca que fora de Hilda. Passava os dias lendo, fazendo anotações e rascunhando palavras. Quando voltou a São Paulo, Roberta conseguiu escrever 30 paginas do livro, que tem o nome provisório de “Agonia Febre-Fulgor”.
A paulista acredita que cada detalhe da casa impele a reflexão e a criação. “A casa extravasa a biografia de Hilda para que a escrita possa acontecer. É um monastério da escrita. É um espaço ritualizado, que foi pensado para ser assim e foi vivido dessa maneira, com tudo que a entrega à escrita pede: comunhão, liberdade, silêncio, fragilidade, magia, ritual, trabalho, tempo, dedicação”, conta.
Antes de fazer a sua residência, a escritora Mariela Mei, que vive em Campinas, também passou por um bloqueio criativo. Precisava de silêncio para escrever um livro de contos e, em 2012, ficou uma semana na Casa do Sol. Em abril deste ano, retornou para mais cinco dias. “Consegui escrever, e muito. O período que passei na casa foi essencial para que eu conseguisse centrar as ideias”, conta ela.
O dramaturgo mineiro Juarez Dias está preparando um livro sobre a Casa do Sol, que se chamará "A Casa da Senhora H”. E para buscar informações, em janeiro deste ano ele viajou de Belo Horizonte para Campinas e encarou uma residência de 15 dias.
Juarez ficou hospedado numa antiga dispensa que foi transformada em quarto. “Pude inventariar tudo, acessar todo o acervo de livros, experimentar o cotidiano da casa, conviver com seus moradores e ouvir deles histórias que ali se passaram. Minha intenção era ouvir o que a Casa teria a me dizer”, diz ele, que já planeja voltar ao local em julho deste ano para uma nova estadia. Desta vez, quer descobrir o que os objetos ainda não lhe contaram.
“A Casa é um templo, um lugar que exige que você o descubra em cada detalhe. Muitas coisas aconteceram ali, mas, principalmente, a vida de uma escritora que decidiu se dedicar à literatura e construiu esse lugar para isso. Há um misto de sagrado e profano, de uma vida em comunidade quase utópica, o encontro dos seres humanos com a natureza e os animais. Cada objeto ali tem um significado e quer nos dizer algo, resta-nos ouvi-los”.
![]()
Juarez Dias, consulta biblioteca
| ![]()
Jurandy Valença, artista plástico e diretor do IHH
|
20130430
o signo de Touro e "Do Desejo" (1992), de Hilda Hilst, na MUNDO MUNDANO, 3af, dia 7 de maio, em SAMPA
Esta é uma das minhas horas prediletas:
hora que entra no eixo alquímico que é TOURO-ESCORPIÃO
e os processamentos de paixão pela matéria e para além da matéria
as sobras, os resquícios, os porões do que o corpo atravessou, Escorpião.
Em Touro, a pujança, a fartura, a gordura da vida,
o escorregadio lustroso, venusiano, dourado-verde,
a terra em flor e fruto. E depois, de tanto haver corpo,
o pântano, a despedida, o corte, a crise, o nada.
Entre o corpo e sua finitude, como somos? o que valoramos?
o que queremos? como nos guardamos? como nos oferecemos?
com que língua engolir o próprio vazio? e com que escuro
reconfigurar uma matéria, um plasma, um sopro vivo?
Há sempre em Touro uma cauda de Escorpião
e neste uma boca aberta daquele.
Fluxo de canais
entrada e saída,
alimento e decomposição.
E todo o verbo de Hilda se ilumina neste trajeto, eixo vivo das paixões e dos enfrentamentos.
Venha junto? Traga o teu corpo a tua voz a tua fome para esta hora.
será no espaço
mundo mundano
próxima 3af, 20hs, dia 7
inscrições aqui:
contato@mundomundano.com.br
e mais infos: http://www.mundomundano.com.br/0204-literatura-e-astrologia/
********** IMPORTANTE:
se não reunirmos o número mínimo de inscritos até esta 6af próxima, dia 3, não haverá encontro.
se você quer vir, venha mesmo, e diga que virá.
te abraço
e te deixo uma Hilda Taurina de brinde, de "Do desejo"
VIII
Se te ausentas há paredes em mim.
Friez de ruas duras
E um desvanecimento trêmulo de avencas.
Então me amas? te pões a perguntar.
E eu repito que há paredes, friez
Há ,olimentos, e nem por isso há chama.
DESEJO é um Todo lustroso de carícias
Uma boca sem forma, em Caracol de Fogo.
DESEJO é uma palavra com a vivez do sangue
E outra com a ferocidade de Um só Amante.
DESEJO é Outro. Voragem que me habita.
20130423
arrasa Sganzerla
Sganzerla manda recado ao Brasil, em homenagem a Torquato Neto (anos 80)
trailer de O SIGNO DO CAOS (2003)
O BANDIDO DA LUZ VERMELHA (completo)
curta-metragem BRASIL (1981)
SEM ESSA ARANHA (completo) (1970)
entrevista Sganzerla
Joel Pizzini sobre Sganzerla
curta-metragem DOCUMENTÁRIO (1966)
COPACABA MON AMOUR (1970)
A MULHER DE TODOS (1969)
UMBANDA NO BRASIL (1969)
ABISMU (1977)
TUDO É BRASIL (1997)
20130419
20130405
bamboo 23, e eu dizendo sobre a CAIXA ALERTA, criada para a 8 exposição internacional do surrealismo, por Breton e Duchamp
digo mais, que além de meu texto, puro encanto foi fazê-lo, é delícia ainda o partilhar das páginas com o meu querido Jurandy Valença, que escreveu sobre Iran do Espírito Santo, e minha mãe, que assina o projeto de um espaço de arte, em Ribeirão Preto. Adorei.
20130401
a carta do mês de abril
saí de um sonho com dragões e com minha mãe aberta e mais um cão (tudo é lua) também aberto, cortados ao meio, passando por cirurgias (no coração?) quando era eu que tinha que passá-las, as cirurgias; minha mãe e o cão abertos, no rancho da fazenda da infância, e meu avô morto estava lá, exatamente como era antes de partir; eu pensava o que é isso de dar o coração a alguém; e que linhagem é essa dos cardíacos; porque eu sabia que meu coração seria dado à minha mãe, ela ficaria com ele, mas ela estava aberta, inteira aberta, e eu estava ainda com o coração em mim, fechado; eram corações duplos-multiplicados? eu minha mãe temos a mesma lua, o mesmo lugar de lua; mas nem sei se eram corações; lembro-me de estar agarrada ao cão, temente, deitada no piso vermelho de pedras, chorando ou orando, não era diferente.
alguém se assustou que eu me apegasse mais ao cão do que à mãe. mas não era diferente, eu sabia, e estranhei que essa obviedade não fosse tão lúcida ou translúcida como soía.
'soía' vem do Camões que passou a semana passada toda comigo. e agora a carta do mês, que continua a noite que o abriu, abril:
mãe?
mãe urânia? venus? uma outra iemanjá? netuna? mãe?
a lua
soberana
e a palavra KAFKA
que tambem leio CANCER
que é mais que doença de células
é mais que alastramento
leio moi
mãe moi
os olhos estão fechados e a distribuição do leite é sem fim
mãe-d'-agua, mãe iara, doce rio, doce foz, escura
que abril venha mês mãe
e o feitiço de ressuscitar sempre uma mãe
com um coração multiplicado
seja o segredo dos dragões, os dois dragões
que comigo nesta noite
na porta em que eu nasci desenharam uma ferradura
mãe é um desperdício de amor, um medo
um nome com que manter a cauda do bicho
dentro da água do corpo, vibrante escama luminosa
abril. que te proteja, mãe nossa.
cuido de nossa mesma lua do aguadeiro
é o que me dá o mês.
Assinar:
Postagens (Atom)











